Foi um fim de semana diferente. Sem pedal. Corri no sábado debaixo de um sol muito forte e nadei no domingo de manhã. Foi bem diferente ver aquela piscina no claro das 09:00AM, a raia só para mim, e as pessoas chegando preguiçosamente para aproveitar o sol de domingo. Nadei com tranqüilidade, sem pentelhações, por +/- duas horas. Gostaria de fazer mais dessas sessões, pois são muito mais produtivas para mim.
Sexta e sábado eu aproveitei para resolver os problemas mecânicos das bikes. Duas trocas de corrente, regulagens infinitas e perda de paciência. Essas magrelas vão ter que aceitar a maneira que pedalo, senão vou trocá-las até encontrar uma que preste. Soma-se a isso a falta de carro e lá se foi o longo de sábado.
Quando se está com azar, o urubu de cima caga no de baixo... O negócio é aproveitar o que o triathlon tem de melhor: ele te dá oportunidade de sempre estar ativo, treinando. E há muito que aprender na natação e na corrida. Fim de semana que vem, pego a rodovia de novo, além do MTB.
Tem gente abandonando o barco dos treinos: Fiquei triste de saber que o Antônio e o Ricardo desapareceram da estrada. É uma pena que a gente tenha que resolver os problemas da vida e isso nos tire momentaneamente do esporte. Espero vê-los treinando e competindo em breve.
Eu mesmo acho que, em certa medida, minha procura pelo triathlon também tenha sido algo mais do que apenas suplantar a monotonia e as lesões ocasionais da corrida. Apesar de ser uma paixão, um estilo de vida, tem sido também uma maneira de suportar níveis de stress e trabalho cada vez mais intensos. Quero dizer que, se hoje só voltasse a correr, acredito que não seria suficiente para dar vazão à tensão da vida diária com suas inúmeras responsabilidades, dos acontecimentos infelizes e dos revezes do dia-a-dia. Em a coisas piorando no Rio, vou ter que fazer o Ultraman, he he he ....
Voltando aos treinos, devo dizer que o mês de fevereiro foi bem frutífero. Progredi séculos na água, adaptei-me muito bem a correr com tênis sem amortecimento (melhorando a técnica) e avancei no meu relacionamento de amor e ódio com minha bike: a cada semana que passa, o ajuste que pensei bom se revela sub-ótimo, passível de melhora, na busca de mais conforto e desempenho. Quando vai acabar essa novela? Acho que só quando eu me acomodar... Parece até mulher!
Outro ponto importante é o de treinar cansado. Com esse pique e essa planilha, não da para recuperar integralmente entre uma sessão e outra. É para quebrar mesmo, fatigar, castigar o esqueleto e a carne... Treino de IM é volume!
As mudanças fisiológicas e corporais são muitas: estou ficando mais magro, com menos gordura corporal, acordo cedo com muito mais facilidade e tenho MUITO mais fome. Meu padrão de sono mudou: hoje inicio a noite de sono com 3 a 4 horas de sono profundo; aí acordo e fico tirando cochilos a noite toda. O despertador nem toca mais, pois levanto para desarmá-lo no último minuto da noite. Estranho né? Outra coisa: estou SEMPRE com dores em algum lugar; são minhas companheiras inseparáveis, já convivo com elas normalmente.
Isso tudo me preocupa um pouco; será que haverá conseqüências de médio e longo prazo para a minha saúde? Tipo aquelas de esforço repetitivo, desgaste das articulações, depressão, etc? Sei lá... Só sei que treino de IM não é para qualquer um – precisa ter coragem e disposição – uma força de vontade que até me assusta de vez em quando. Outro dia estava pensando: depois de minha segunda queda na estrada, xinguei a bike, examinei os arranhões e segui em frente. Não teria sido mais racional, menos xiita, ter desistido e dado meia volta, passeando até o ponto de partida? A bike poderia apresentar outros problemas, meu joelho doía muito, e as coisas poderiam se agravar com uma nova queda que, nunca é demais lembrar, sempre ocorre na beira da estrada...!
De vez em quando preciso lembrar que tenho mulher e duas filhas.
Mas nesse período de treinamento (em que estamos rumando para o pico) também ocorrem coisas boas: os “efeitos colaterais” do IM! Posso comer virtualmente qualquer besteira que o corpo queima, como diz o Rogério. Além disso, a cidade fica pequena para mim. A gente corre e pedala para todo lado...

Estou curioso para ver as mutações do IM. Um novo homem está surgindo.