Encontrei hoje na Internet comentários sobre um estudo de
Duckworth e Seligman a respeito de disciplina pessoal e QI, onde os pesquisadores concluem que a primeira é mais importante que o segundo como
previsor de sucesso nos estudos e na carreira de adolescentes.
Não que o QI deva ser ignorado – nós já o usamos por décadas – mas a constatação foi uma correlação de 67% contra 32% de disciplina pessoal e QI, respectivamente, com os graus mais altos. Para mim, há muito de bom-senso nesse estudo, já que ele corrobora algumas de minhas crenças:
a) Motivação, ambição e disciplina pessoal devem vir de casa e do próprio aluno; o professor não pode ser responsável por isso.
b) Disciplina pessoal é capital humano. Embora não se saiba se é hereditária ou não, ela floresce onde a educação é tema central e onde há famílias organizadas. Capital humano não pode ser distribuído ou taxado: ele vem de baixo – das famílias estruturadas.
c) No mundo atual, educação é ainda mais privilégio do que direito.
O estudo, no entanto, deixa algumas perguntas sem resposta, tal como: “Disciplina pessoal pode ser ensinada em escolas?” Embora o estudo afirme que, em grande medida, todos os pais e professores tentem fazê-lo, há muito espaço para melhoramentos.
Para essa questão eu tenho uma resposta: disciplina pessoal pode ser ensinada e reforçada através do
esporte. De que outra maneira tão lúdica e saudável podemos mostrar que, com treino, perseverança e obediência às regras pode-se chegar à vitória? E mais importante: uma vitória que, ainda que não alcançada, traz os benefícios da saúde, do reconhecimento do melhor competidor (humildade) e do perfeito entendimento da relação entre dom e disciplina pessoal nos treinos (já que o vencedor nem sempre é o mais talentoso).

Basta apenas que se preste atenção para que o desejo pela vitória a qualquer custo não se sobreponha ao da competição saudável (o ideal de Coubertain) e se respeitem os limites dos jovens organismos em formação. Devemos lembrar das palavras de Steve R. Prefontaine, corredor norte-americano de longa distância que nos deixou em 1975: “Dar menos que o melhor é sacrificar o Dom.”