Friday, January 27, 2006

Refletindo Sobre Algumas Notícias

Algumas notícias, de tão inusitadas, chamam minha atenção imediatamente; outras, pela freqüência quase diária com que aparecem na mídia, saturam-me a ponto de quase considerá-las uma verdade inquestionável – a menos que eu, de tempos em tempos, coloque-as em perspectiva - e a elas dê a importância que lhe são devidas.

Refiro-me, primeiramente, à recente maioria de cadeiras no parlamento palestino que o grupo extremista-terrorista Hamas conseguiu nas recentes eleições. Essa notícia é muito preocupante para todos os israelenses, já que os estatutos do Hamas pregam a extinção do estado sionista, e o governo americano já declarou que não reconhece um governo com tais premissas ideológicas. Na ausência de Arafat e Sharon, o que se sucederá? Será que o Hamas vai se politizar assim como fez o IRA – que adquiriu representatividade política e abandonou a luta armada - ou veremos a insanidade, a desconfiança, os ataques preventivos e o terrorismo acirrar-se no Oriente Médio?

Em segundo lugar: Quem ainda agüenta ouvir dia após dia notícias sobre macroeconomia, desempenho de balança comercial e superávits primários, como se esses fossem assuntos da maior importância para o cidadão? Onde andam os valores sociais, a educação, a micro-economia? Os cidadãos das classes média e baixa no Brasil vivem numa sociedade conturbada, com problemas quase insolúveis e falida, enfrentam problemas familiares em larga escala como divórcios, desemprego, violência, abortos, gravidez na adolescência e tantos outros males...

Vivemos sob a pressão de nos ocuparmos, quase que exclusivamente, pela sobrevivência; fechamo-nos sobre nós mesmos, já que o trabalho alienante nos despoja quase totalmente de qualquer possibilidade de reflexão, crescimento intelectual e ócio produtivo. Como é difícil encontrar tempo para o esporte, para a leitura, para o próximo, para contribuir com a sociedade ...

O cidadão brasileiro precisa se afastar dessa "alienação macroeconômica" que os políticos e o governo nos impõem. Que lógica existe no fato de uma pessoa analfabeta conhecer rudimentos teóricos e comentar notícias de economia se ela não consegue resolver seus problemas financeiros e se afunda em dívidas impagáveis a espera de um perdão de dívida ou renegociação? É aviltante ver, na televisão, o Faustão oferecendo o cartão Fininvest Diamante com 3 maneiras do pobre se afundar ainda mais: cartão de débito, cartão de crédito e cartão para acesso “privilegiado e sem burocracia”a empréstimos pessoais.

Nossos desacreditados políticos precisam aceitar essa realidade e mudar seus discursos de apelo econômico e crescimento ufanista porque, na realidade atual, é o capital cultural que, junto com os bons valores sociais, que estão determinando nosso destino econômico. Se você tem uma filha, deve estar muito mais preocupado em evitar um neto antes que ela se case do que se ela vai ser uma vítima econômica da globalização. A educação de nossas crianças e jovens é muito mais importante que a política cambial, a privatização das estatais ou as fusões entre grandes empresas.

Com medo de serem considerados donos da verdade e aceitar o preço da crítica dos que pensam de forma contrária, representantes dos poderes constituídos se eximem de trabalhar objetivamente para fortalecer a ordem social, a estrutura familiar, os padrões de decência e as normas cidadãs; e aqui vão palmas para o Papa Bento XVI, que dirige a Igreja para o sentido do fortalecimento de tais valores e contra a banalização do conceito de Amor na sua primeira Encíclica. Será que aqui no Brasil os partidos evangélicos (que já internalizaram esse discurso na “representatividade” política) irão triunfar? Você está preparado para aceitar a falsidade e o assistencialismo de um Garotinho, de um Crivella?

Pensando bem, concluiremos que nossa ansiedade social é muito maior que a econômica porque os valores pessoais, educacionais e culturais valem muito mais – eles são a base sobre os quais se constrói a prosperidade (ou apenas a decência) econômica.

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